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Yoga e meditação na Índia: desconstruindo o caos interior

 

A história da brasileira que deixou a estabilidade do emprego, da casa e das relações para viver intensos meses em uma incrível busca interior na Índia

 

Caos – substantivo masculino. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra caos pode significar, entre outros: 4 – Perturbação. De tempos em tempos, corpo e mente reconhecem um certo caos interior e é ele, muitas vezes, fundamental para que enxerguemos a necessidade vital do restabelecimento do equilíbrio e da harmonia. E foi em busca dessa paz interior e da reverência com o divino que a nossa entrevistada de hoje mergulhou de coração aberto, sem muito apego a roteiro e planejamento na cultura berço da meditação e do yoga: a Índia.

42 anos, ítalo-brasileira, professora de yoga e sempre apaixonada pela cultura do país das filosofias orientais – conheça a história de Cláudia Rinaldi, uma mulher sinônimo de força e leveza, que emana a energia do sagrado por onde passa.

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Caminho livre sob os pés descalços

Mais do que nunca, yoga e meditação têm preenchido espaços antes vazios pelo desconhecimento do mundo ocidental. Em busca de estudos e práticas mais aprofundadas, milhares de pessoas do mundo inteiro vão à Índia todos os anos com o objetivo de vivenciar uma experiência singular a respeito do tema. Segundo Cláudia, a tentativa de fazer um planejamento como todas estas milhares de pessoas, para ela, falhou. “Eu fiz um planejamento mínimo, pois era muita informação, muita cultura, muitos destinos dentro de um só país. Fiquei bastante perdida e, somente quando cheguei lá, vi que não tinha o controle das coisas como gostaria, o que acabou sendo ótimo para mim”, ressalta a paulista. Ela começou aplicando o desapego de forma ímpar: largou um emprego estável na Inglaterra, onde mora há alguns anos, deixou o noivo, vendeu seu carro e lá se foi de corpo e alma. “Se você não decidir, você não vai”, enfatiza. Ela conta que viveu na Índia por um período de quatro meses, mas, o que aconteceria a partir dali, seria imensurável e para toda a vida.

Segundo Cláudia, seu professor de Yoga foi a primeira referência para que escolhesse Rishikesh, cidade famosa do Rajastão por ser considerada a “capital do yoga”. “A Índia sempre esteve presente, até o momento em que resolvi me aprofundar mais na meditação e decidi que precisava estar conectada de corpo material também.

Queria saber mais sobre os tipos de yoga, conhecer os Ashrams (monastérios da índia), sem falar na natureza. A Índia é um lugar para se sentir várias vezes. O mais interessante é que você vai descobrindo sobre a cultura do país, e, ao mesmo tempo, sobre si mesmo. A aplicabilidade da humildade e o controle do ego são aspectos muito intensos e que eu não tinha tanta noção antes do quanto significam.

Quanto mais você vai conhecendo as técnicas de meditação, mais tem vontade de se aprofundar e isso nunca tem fim. É como a Índia, que mesmo que você more lá por muitos anos, vai ser sempre infinita”, pontua ela, que ainda fala da importância do amor e de se viver livre do temor.

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De acordo com Cláudia, o impressionante foi não ter um script e estar livre para viver a experiência. “Você vive a vida de uma maneira diferente. A liberdade também faz parte da busca. Isso tudo fez com que eu ficasse mais comigo mesma, envolvida no crescimento espiritual. A gente passa a entender que cada pessoa que você encontra no caminho vem para acrescentar. É um ciclo de amor.

A Índia é muito especial por isso. Ela tem muito a te ensinar no que diz respeito à vida em seu simples significado. Tudo isso me fez olhar a humildade em que as pessoas viviam e pensar ‘não precisamos de mais do que isso’.

Você começa a avaliar o seu conceito de limpeza, por exemplo, que não é o mesmo deles. Meu professor me aconselhou apenas a não tentar entender e aceitar. E eu entendi que a gente precisa aceitar mais na vida. Aprendi a relaxar um pouco mais. Depois que voltei da Índia, me vejo uma pessoa mais tranquila e que não tenta ter tanto o controle das coisas. Tudo é passageiro. Tudo muda. A vida é linda na sua inconstância”, ressalta Rinaldi.

Espada e escudo, mas livre do temor

Mas nem tudo são flores o tempo todo em nenhum lugar do mundo. Segundo ela, quando chegou em Nova Deli, foi vítima de um pequeno golpe aplicado a turistas. O ocorrido aumentou ainda mais a tensão adquirida por meio da leitura de comentários ruins na web a respeito da falta de segurança no país . “Quando você busca informações na internet, encontra muitos alertas para mulheres que queiram viajar sozinhas. No entanto, parto do princípio que, aonde quer que você vá, precisa sempre respeitar a cultura local. Se, para eles, por exemplo, mostrar o corpo, como ombros e pernas, não é comum, então não o faça. Mesmo com calor eu usava calças e um lenço cobrindo os ombros, sempre”, revela.

Ela conta então sobre uma experiência negativa que teve. De acordo com a professora de yoga, no período do Shiva Festival – festival em que os homens, em geral, mais jovens, se reúnem, vindos de todas as partes do país -, ela e suas colegas de yoga haviam sido alertadas para não irem para a beira do Ganges, pois alguns deles não estavam acostumados com mulheres estrangeiras e poderiam se comportar de forma agressiva. “Teve uma situação em que voltávamos seis mulheres caminhando à noite e encontramos dois grupos desses homens e acabamos ficando coagidas no meio deles. O grupo de trás gritava em coro e o da frente respondia. Eles fizeram isso para nos intimidar. Resumindo, é sempre bom tomar cuidado. O que temos que fazer é ficar atentas, bem informadas sobre aonde ir e horários, e então tudo bem”, ressalta a brasileira, lembrando que já passou por situações muito piores no Brasil.

Sintonias e conexões no ciclo da vida

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Depois de um início conturbado, ela conta que tudo mudou de rumo quando se abriu mais para o que estava para acontecer

“O mais importante é ir com o coração aberto. É a energia do pensamento positivo. A partir do momento em que eu falei ‘estou aqui e vai ser tudo lindo’, tudo fluiu muito bem.

É maravilhoso quando você conhece as pessoas que tem que conhecer, você tem a ajuda, tem a força que tem que ter e tudo acontece com muita sintonia”, conta. De acordo com ela, foi na fila do ônibus que conheceu pessoas que a ajudaram a partir dali, mudando o curso da sua estadia. Para Cláudia, as conexões acabaram acontecendo de uma forma muito mágica e surreal. Era, definitivamente, a energia do amor circulando.

Segundo a professora, as pessoas criam mitos muito grandes acerca da Índia. Ela tomou todas as vacinas e, para se manter sempre bem hidratada, usou pastilhas de cloro na água potável. “Fiquei protegida e não tive nenhum mal-estar nesses quatro meses. Você ouve muita lenda”, desmitifica a mulher sobre os estereótipos acerca do país oriental. De acordo com Cláudia, o fato de estar há mais tempo no Rajastão a possibilitou outras vivências além do turismo. “Quando você está a mais tempo, começa a ver a realidade de uma outra forma e a criar relações de amizade e isso é fundamental para mergulhar numa cultura e saber como vive um povo no dia a dia”, revela. E o resultado disso? “Foi incrível. A Índia tem muito a oferecer quando você tem o coração aberto. Tenho muita gratidão por tudo”, conclui. E por falar em coração, ela garante que o processo de evolução é infinito e que devemos sempre estar atentos ao corpo e a mente, forma e conteúdo, afinal, de caos, já não basta o ocidental, não é mesmo? ONG NAMO GURU DEV NAMO – Saudemos, com reverência, a infinitude interior.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Elas Sem Fronteiras ♥️.

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