Aceitação Empoderamento feminino Moda representatividade

Empoderamento sem medida

Em meio ao discurso global de empoderamento feminino, entrevistamos uma jornalista e modelo plus size prá lá de empoderada!

 

English Version

O termo “Empoderamento feminino” tem ganhado destaque no mundo inteiro, dando espaço para aquelas que vêm sendo as luta das mulheres durante séculos. Visando a equidade de gêneros, o empoderamento busca adquirirmos a responsabilidade de desenvolvermos nosso próprio poder, e assim estarmos prontas para assumí-lo. Então, a partir daí, estamos aptas a estender a mão às mulheres para que elas também iniciem esse caminho. É uma união, uma irmandade, onde o poder da outra é o nosso poder, e vice-versa. É enxergar a outra mulher como uma irmã e companheira, e não mais como rival.

Nesse caminhar, a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres. Eles são um conjunto de considerações que ajudam a comunidade empresarial a incorporar em seus negócios os valores e práticas que visem à equidade de gênero e ao empoderamento das mulheres. Tudo o que mais queremos é exercer nossa capacidade sem encaixarmos nas limitações e padrões pré-fabricados de nenhuma sociedade, não é mesmo?

Para ilustrar mais esse cenário de mulheres que derrubam padrões, entrevistamos com muito carinho a paulista Ana Bastos. Ana, 29, atualmente mora em Dublin, na Irlanda, e trabalha como jornalista de moda plus size. Empoderada desde criança, ela reconhece alguns momentos em que se deixou levar pela sociedade, e viu na necessidade de apoio psicológico para mulheres de todos os estilos a oportunidade para criar seu perfil no Instagram. Eu sempre fui muito segura de mim. Quando eu era pequena, sempre fui a diferente, com muita cor, muita estampa, com corte de cabelo diferente e tal, mas, conforme fui crescendo, em torno dos 17 anos, veio a crise do ‘sou gorda, meu cabelo não é liso’, e fui entrando nessa pilha na faculdade do ‘sou feia, sou gorda’, aí meio que me escondi, me tornei uma Ana durona, meio ‘fechadona’. No Brasil, um episódio me marcou bastante. Durante a festa de uma faculdade particular de São Paulo, pelo motivo de ser gorda, um cara me chamou de mamute. Eu sempre soube que a galera era meio idiota, porque tinha dinheiro e achava que era o rei do mundo. Esse foi, inclusive, um dos motivos que me fez querer sair do Brasil.

“Nesse dia, eu passei e o cara me falou ‘O rosto é tão bonito, mas parece um mamute!’. Foi a primeira vez em que eu dei um soco em alguém! Eu virei um murro no nariz do cara!”, conta a jornalista. Depois dessa agressão verbal, Ana conta que ficou ainda mais fechada.

Na Irlanda, um outro caso de agressão e preconceito aconteceu com a jornalista, na ocasião em que uma empregadora não a quis contratar pelo fato de ser negra.

“Eu fui fazer a entrevista e, logo que me viu, ela falou ‘Nossa… sua cor!’, ela nem disfarçou assim, sabe? Daí eu falei ‘É, a minha cor”, e ela respondeu, ‘Nossa… Eu não tava imaginando…’. Eu não estava entendendo mesmo que aquilo estava acontecendo. Não quis acreditar, achei que ela estivesse dizendo que eu estava bronzeada, sei lá. E ela continuou falando da minha cor no meio da entrevista, então aí eu percebi que era preconceito pelo tom, pelo fato dela ter abraçado e dado um beijo na minha amiga e não ter me abraçado, e isso foi uma coisa que me marcou muito”.

“No entanto, eu já estava mais segura de mim, e isso não me abalou psicologicamente como o caso do garoto da faculdade. Meus amigos é que ficaram chocados e sofreram bastante por mim, até porque quando alguém fala que sou gorda e negra, beleza, eu sei, são características e isso não me machuca, porque estou muito segura e certa de mim”. 

“É muito claro para mim quem eu sou, então essas coisas não me abalam”, conta.

No entanto, Ana sabe que ainda muitas mulheres e pessoas em geral, independente de gênero e idade, precisam e muito se amar e se respeitar.

“Se ame e dane-se o que falam de você. Não importa o que as outras pessoas acham de você, o que importa é o que Deus sabe e você mesma. Você está orgulhosa de quem você é? Se você se olhar de outro ângulo, vai dizer ‘Mano, é essa Ana que você quer ser?’, então você está no caminho certo. Se ame! Não se sinta inferior, não deixe que ninguém te faça sentir inferior e não se esqueça que a vida é muito mais do que um feed organizado, do que um corpo sem curvas ou com curvas demais. A vida é muito mais do que isso”, ressalta.

Ana realça muito a questão da segurança e do quão importante é estar bem consigo mesma. “Sempre reclamava muito de mim, sempre achava que eu podia ser melhor, até porque eu sempre ouvi muito, muito, que eu era bonita da metade pra cima. Do rosto para cima. E por mais que eu não ligasse pra tudo que me falavam, de uma certa maneira nosso coração vai pegando aquilo e isso foi criando uma barreira dentro de mim, uma muralha. Não que eu não me amasse, mas eu poderia me amar muito mais, eu poderia fazer muito mais por mim. E tudo isso mudou quando comecei a colocar a minha fé em prática, a orar. Penso, se Deus me deu essa coroa, que é meu cabelo maravilhoso – que eu realmente acho que ele é minha coroa – se Ele me deu esse tom de pele que as irlandesas daqui passam milhões de produtos para ficarem com a mesma cor, se Ele me deu a boca carnuda, o nariz mais avantajado, eu sou perfeita do jeito que Ele me fez e nada mais importa”, pontua a jornalista. Segundo ela, a partir do momento que você tem um propósito na sua vida, você passa a não ligar para o que as pessoas pensam, e o que importa é se você está feliz e saudável para ir atrás dos seus objetivos. E, no mais direto sotaque paulista, ela relata – “Mano, tu pode! Nós podemos tudo, nós somos tudo aquilo que nós queremos ser”, finaliza.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Elas Sem Fronteiras ♥️.

Anúncios

um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s